Máquina de distribuição de camisinhas que será instalada nas escolas pelo governo federal para combater Aids

RIO - Elaborado há mais de quatro anos, o projeto de implantação de máquinas de camisinhas nas escolas de ensino médio da rede pública está gerando polêmica. Dois modelos já foram desenvolvidos e um deles já é oferecido no mercado. A expectativa do Programa Nacional de DST e Aids, responsável pela iniciativa, é que até 40 máquinas comecem a funcionar ainda em 2010, apesar da resistência encontrada em alguns setores da sociedade.

Estudantes, pais e educadores discutem se está certo ou errado instalar máquinas para distribuição de camisinhas nas escolas públicas.

- As pesquisas recentes indicam que jovens entre 13 e 19 anos têm uma vida sexualmente ativa. Se eles têm uma vida sexualmente ativa, seria uma atitude dissimulada fechar os olhos para esta realida de - afirma a doutora em antropologia Micheline de Oliveira durante entrevista ao Fantástico.

O Ministério da Saúde em parceria com o Unicef fez uma pesquisa e descobriu que os adolescentes têm dificuldade de acesso ao preservativo. Por isso, escolheu a escola para encurtar este caminho. Sem querer, criou uma polêmica: afinal, escola é lugar para distribuir camisinha?

- Neste local, onde eles estão juntos em turmas de amigos, ter este acesso de maneira, sem preconceito, sem discriminação, com facilitação, acho que é o nosso papel - a firma o coordenador do Programa DST Aids, do Ministério da Saúde, Dirceu Grecco.

Até o início do ano que vem, pelo menos quarenta escolas públicas de três capitais brasileiras vão começar a testar as máquinas de camisinhas.

Mas o que pensam os adolescentes, Os mais interessados no assunto?

- Eu não concordo com estas máquinas aqui dentro da escola, porque tem os postos de saúde que disponibilizam. E eu acho que não é o local apropriado -afirma o estudante Mateus Vasconcelos, de 16 anos.

Como o acesso vai ser liberado apenas para alunos do ensino médio, só eles receberam a senha. Usar a máquina é fácil, basta digitar os números e pronto: o preservativo sai na hora.

Alunos, professores e pais de uma escola ainda estão discutindo, mas a maioria dos estudantes prefere que a máquina seja colocada em lugares como o banheiro. As escolas não são obrigadas a receber a máquina, mas quem aceitar a oferta do Ministério da Saúde deve promover campanhas e discussões sobre educação sexual - assunto que gera muita polêmica!

- Eu acho que a escola é o lugar adequado que os adolescentes possam adquirir a camisinha, que muitas vezes eles não conseguem em casa - diz o psiquiatra Francisco Baptista Neto.

Seu Édio é pai de oito filhos e sete deles estudam na mesma escola. Todos eles teriam acesso à camisinha. Ao responder se acha que isso, de alguma forma, facilitaria a conversa sobre sexualidade dentro de casa.

- Com certeza, pelo simples fato de chegar em casa contando a novidade, eu creio que vai abrir uma discussão da família com os alunos. Isso vai provocar. Eu acho que vai vir dos filhos para com os pais, que na verdade deveria ser o contrário, dos pais para os filhos - diz Édio dos Santos.

Instalação de máquinas de camisinhas nas escolas de ensino médio gera polêmica - O Globo